Florianópolis, Blumenau e Joinville despontam como vanguarda, investindo em projetos e na capacitação estratégica de servidores
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​O Código de Santa Catarina – Parte I: como lideranças estão construindo cidades inteligentes

Municípios como Florianópolis, Blumenau e Joinville despontam como vanguarda nesse processo, investindo de forma recorrente em projetos e na capacitação estratégica de seus servidores.

Por Jean Vogel, presidente da Câmara de Smart Cities da FIESC e CEO da Ecosystems Builders, é colunista de cidades inteligentes.

Santa Catarina não é apenas um estado inovador; é um verdadeiro laboratório a céu aberto de eficiência territorial e produtividade possuindo um DNA único no mundo, é um estado descentralizado por natureza.

Berço de potências como WEG, Intelbras, Aurora, Tigre e Tupy, o estado construiu um modelo de desenvolvimento singular, influenciado pelas diversas culturas de sua colonização. A força motriz dessa jornada sempre foi a capacidade de execução de um povo que acorda cedo, foca na solução e, como consequência direta, entrega resultados robustos. Com 295 municípios ocupando menos de 1% do território nacional, o estado gerou 4,75% do PIB brasileiro em 2025 (R$604 bilhões de R$12.7 trilhões). 

​No entanto, é na nova economia que reside o próximo grande salto catarinense. A transição para a economia do conhecimento não anula nossa pujança multissetorial e industrial, mas exige uma nova matriz de ativos e abordagens. Hoje, o diferencial competitivo de um território não se limita a commodities ou à sua força de produção tradicional. O verdadeiro capital é humano. Inovação exige densidade colaborativa, a capacidade de integrar e conectar mentes criativas para tangibilizar ideias, consolidando autênticos ecossistemas de inovação. 

​É dessa visão estratégica que emergem players de vanguarda como: JBS Biotech Innovation Center, Nanovetores e Vesper Biotechnologies. Iniciativas que nasceram imersas nessa mentalidade, e estão atuando no mercado global.

​Paralelamente, observamos um movimento de maturidade urbana crucial para que esse ecossistema prospere: lideranças visionárias nas gestões públicas catarinenses compreenderam a dinâmica do novo jogo global. Estamos testemunhando a aplicação prática de conceitos de inteligência e eficiência urbana que metrópoles globais utilizam há décadas, transformando nossos municípios em verdadeiras Cidades Inteligentes. 

Talentos escolhem cidades antes de escolher empregos

Essa transformação não ocorre por modismo tecnológico ou para gerar releases na mídia, mas por sobrevivência estratégica. Na era digital, os maiores talentos decidem primeiro onde querem viver, e só depois escolhem para quem vão trabalhar — ou onde vão empreender. A verdadeira competição global pelo capital intelectual ocorre entre cidades, não entre CNPJs

​Projetar uma cidade estruturada para gerar qualidade de vida, felicidade e oportunidades de sucesso pessoal e profissional é o caminho mais seguro para atrair e reter o insumo mais valioso de hoje: cérebros — e, consequentemente, capital de investimento. 

​Municípios como Florianópolis, Blumenau e Joinville despontam como vanguarda nesse processo, investindo de forma recorrente em projetos e na capacitação estratégica de seus servidores. No começo do mês, em Blumenau, inauguramos mais uma turma da nossa pós-graduação aplicada em Cidades Inteligentes, ultrapassando a marca de 100 gestores públicos capacitados, sendo que mais de 80 deles são atuantes nestas três cidades — um reflexo direto do compromisso com a profissionalização da gestão urbana. 

​Durante a aula magna do curso, a fala do prefeito de Blumenau, Egidio Ferrari, sintetizou o reposicionamento do município: 

“Nosso planejamento estratégico está integralmente
norteado pela visão das Smart Cities.”

Reinventar-se não é novidade para Blumenau

A cidade que sofreu com as históricas cheias de 1983 e 1984, foi pioneira na criação de um pólo de informática, no final da década de 1960, com a criação do Centro de Eletrônico da Indústria Têxtil (CETIL) , mostrando a visão que os empreendedores locais, temperada pela cultura, principalmente, germânica, tiveram. Anos depois, a FURB cria os primeiros cursos superiores de tecnologia da região, impulsionando o nascimento de empresas que hoje são gigantes nacionais, como a Senior Sistemas.

Agora, a criação do distrito de inovação da cidade, aliada à sua forte cultura empreendedora e a ativos promotores de felicidade — como a Oktoberfest, formam uma proposta de valor urbana raríssima. Ao convergir esses trunfos com uma visão de futuro clara e um time de gestão altamente capacitado, o resultado é óbvio: Blumenau consolida-se aceleradamente como uma das grandes referências em inovação no cenário nacional. 

​Na segunda parte desta análise, veremos como Joinville está se mobilizando e integrando seu ecossistema e parque industrial para posicionar-se como potência global em inovação.

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