Índice aplicado no entorno do Sapiens Parque vai avaliar territórios com dados sobre capital humano, infraestrutura e impacto econômico

Metodologia quer mostrar se distritos de inovação funcionam além do discurso

Índice que começa a ser aplicado no entorno do Sapiens Parque (foto) vai avaliar territórios a partir de dados sobre capital humano, infraestrutura, governança, impacto econômico e qualidade urbana. / Crédito: Divulgação

Distritos de inovação se tornaram uma das expressões mais usadas por cidades, universidades, parques tecnológicos e governos interessados em posicionar seus territórios na economia do conhecimento. Mas uma pergunta costuma ficar em aberto: como saber se esses ambientes estão, de fato, funcionando como distritos de inovação — e não apenas como uma concentração de empresas, instituições e projetos em uma mesma região?

Uma iniciativa desenvolvida em Santa Catarina quer criar uma resposta mais objetiva para essa questão. O InPETU hub, centro de inovação da Universidade Federal de Santa Catarina instalado no Sapiens Parque, e a startup DashCity estão desenvolvendo o Índice Global de Distritos de Inovação, o IGDI. A proposta é criar uma metodologia para medir, classificar e comparar territórios de inovação a partir de dados.

O primeiro território de aplicação será o Distrito de Inovação do Norte da Ilha, em Florianópolis, tendo o Sapiens Parque como principal estrutura âncora. A leitura inicial posiciona a região como um “distrito em desenvolvimento”, com potencial projetado de evolução até 2035.

A diferença central da metodologia está no escopo. Em vez de medir apenas o número de startups, empresas instaladas ou projetos em andamento, o índice considera dimensões como capital humano, infraestrutura, atividade empresarial, pesquisa e desenvolvimento, impacto econômico, impacto social e urbano, integração territorial e conectividade global.

Na prática, a proposta é observar o território como um sistema. Ou seja: entender se universidades, empresas, governo, infraestrutura urbana, talentos, pesquisa, moradia, mobilidade, serviços e governança estão conectados de forma suficiente para sustentar um ambiente inovador.

“A inovação territorial não pode mais ser analisada apenas pelo número de startups ou empresas instaladas. Os territórios mais inovadores do mundo são aqueles que conseguem integrar conhecimento, qualidade urbana, capital humano, governança e impacto social”, afirma Clarissa Stefani Teixeira, diretora de inovação da UFSC e responsável pela coordenação da parceria.

Uma régua para comparar territórios

O IGDI foi estruturado a partir de referenciais sobre desenvolvimento urbano baseado em conhecimento, inovação aberta, place quality, hélices de inovação e avaliação de ecossistemas. A ambição é permitir que diferentes territórios possam acompanhar sua própria evolução ao longo do tempo e, ao mesmo tempo, comparar seus indicadores com referências nacionais e internacionais.

Entre os exemplos citados como inspiração estão 22@Barcelona, Kendall Square, ligado ao MIT, One-North, em Singapura, e Porto Digital, em Recife. A comparação, no entanto, deve ser vista mais como referência metodológica do que como equivalência direta entre os territórios.

Para Alex Lima, cofundador da DashCity, o índice ajuda o Distrito de Inovação do Norte da Ilha a enxergar seus ativos e gargalos de forma mais integrada. A startup atua com inteligência territorial, análise preditiva, visualização de dados e construção de observatórios voltados a planejamento urbano, desenvolvimento econômico e inovação.

A primeira versão da plataforma interativa está prevista para julho de 2026. A partir dela, instituições de pesquisa e gestores de ambientes de inovação poderão cadastrar dados de seus territórios para extrair indicadores de inteligência territorial e desenvolvimento econômico.

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