Com aquisição de startup, fintech catarinense Novo Saque prepara nova fase de expansão
Empresa de Florianópolis quer chegar a R$ 2 bilhões em volume de crédito em 2026 e aposta na internalização de tecnologia para ganhar escala em novas frentes. / Foto: Jeferson Baldo
A fintech catarinense Novo Saque, de Florianópolis, anunciou a aquisição da Fint, startup que atua na integração entre instituições financeiras e convênios públicos, em um movimento que reforça sua base operacional para expansão no mercado de crédito.
A operação ocorre no momento em que a Novo Saque projeta alcançar R$ 2 bilhões em volume de crédito em 2026 e amplia sua estrutura para avançar em novas linhas de negócio, incluindo o crédito consignado para trabalhadores CLT, frente para a qual também estruturou recentemente um fundo exclusivo de cerca de R$ 100 milhões.
A compra reforça a estratégia de fortalecer integração, velocidade de processamento e autonomia operacional. “A decisão tem muito a ver com ganho de escala. A partir do momento em que internalizamos essa tecnologia, conseguimos reduzir dependências, aumentar a velocidade das operações e preparar a empresa para um novo ciclo de crescimento”, diz o CEO Cássio Casagranda.
Na prática, a Fint desenvolveu uma tecnologia voltada à comunicação entre instituições financeiras e convênios públicos, como prefeituras, governos estaduais e órgãos federais, etapa necessária para viabilizar operações de crédito consignado. Ao internalizar essa estrutura, a Novo Saque passa a controlar diretamente uma peça da operação.
Para Helton Paris, fundador da Fint e agora CTO da Novo Saque, a incorporação amplia o alcance de uma solução criada para atacar um gargalo técnico específico do setor. “A Fint nasceu para resolver um gargalo técnico importante, que é a integração com convênios e instituições. Dentro da Novo Saque, essa tecnologia passa a ser um diferencial estratégico para expansão”, afirma.
Fundada em 2018 por Israel Wamosy e Cássio Casagranda, a Novo Saque começou em um coworking no bairro Estreito, em Florianópolis, com foco inicial em crédito consignado para servidores públicos. O ponto de virada veio entre o fim de 2019 e 2020, quando a empresa deixou de atuar apenas como intermediadora e passou a desenvolver produto próprio. Foi dessa mudança que nasceu sua operação de crédito no cartão, base para um modelo mais escalável e menos dependente de terceiros.
Desde então, a companhia ampliou presença nacional, fortaleceu a própria estrutura tecnológica e expandiu sua rede de distribuição: são cerca de 25 mil correspondentes bancários, com expectativa de chegar a 30 mil até o fim do ano, atendendo mais de 1 milhão de clientes em todo o Brasil.
Desde a fundação, a Novo Saque já movimentou cerca de R$ 75 milhões em operações de crédito via cartão, seu primeiro produto próprio. Nas operações ligadas ao FGTS, a empresa afirma ter movimentado cerca de R$ 1 bilhão entre 2024 e 2025, sendo R$ 700 milhões apenas no último ano. A companhia também destaca como diferencial a integração direta com a Caixa Econômica Federal nas operações de antecipação do saque-aniversário do FGTS, em um modelo que reduz intermediários.
“Sem tecnologia, esse mercado não escala. E quando a gente fala em crescimento para bilhões, isso só é possível com uma base tecnológica robusta e própria”, resume Israel Wamosy, CSO da Novo Saque.
