Santa Catarina, um estado que cresce por escolha
No mundo em que as pessoas escolhem primeiro onde viver, vencerão as regiões que entenderem que qualidade de vida, eficiência e oportunidade não são agendas separadas. / Foto: Claiton Couto (Unsplash)
Por Paulo Bornhausen,
secretário de Articulação Internacional de Santa Catarina
A economista urbana Isabel Sabadí tem defendido, em artigos e conferências sobre desenvolvimento urbano na Europa, uma mudança clara no comportamento global: as pessoas estão escolhendo primeiro onde querem viver e só depois decidindo onde trabalham. Essa transformação é impulsionada diretamente pelo avanço do trabalho remoto e híbrido.
Quando o emprego deixa de exigir presença física, qualidade de vida, segurança e ambiente urbano passam a ser fatores decisivos. O talento se torna móvel e, ao se mover, redefine a lógica da competitividade.
Esse fenômeno já é visível no Brasil e encontra em Santa Catarina um exemplo concreto. Enquanto o país caminha para baixo crescimento populacional, projeções do IBGE indicam que Santa Catarina deve crescer cerca de 40% até 2070, saindo de 7,6 milhões para mais de 10,4 milhões de habitantes. No mesmo período, o Brasil deve crescer cerca de 5%. Essa diferença é explicada principalmente pelo saldo migratório positivo do estado.
Ou seja: Santa Catarina já está sendo escolhida.
O trabalho remoto é central nesse movimento. Ele permite que profissionais mantenham vínculos com empresas de outros mercados enquanto vivem onde a vida funciona melhor. Esse deslocamento da decisão do emprego para o território explica por que o estado amplia sua população economicamente ativa enquanto outras regiões envelhecem mais rapidamente.
Esse processo é ainda mais visível em Florianópolis, que se consolidou como destino de profissionais da economia digital que trabalham de forma remota ou criam seus próprios negócios.
O dado concreto é que crescer 40% em um país que praticamente não crescerá significa ampliar base produtiva, mercado consumidor e força de trabalho ao mesmo tempo em que outras regiões passam a disputar escassez de mão de obra.
Isso tem implicações diretas. Mais pressão sobre mobilidade e habitação, maior necessidade de infraestrutura e, ao mesmo tempo, uma janela objetiva de ganho de competitividade.
No mundo em que as pessoas escolhem primeiro onde viver, vencerão as regiões que entenderem que qualidade de vida, eficiência e oportunidade não são agendas separadas, mas partes de uma mesma estratégia de desenvolvimento. Santa Catarina já começou essa trajetória. O próximo passo é consolidá-la.
