Aquisições de empresas tech cresce 25% no Brasil – e grandes de SC ganham espaço comprando
Nova fase do mercado de fusões e aquisições (M&A) no país revela um ecossistema mais maduro – o gargalo agora é a falta de preparo das empresas para serem compradas, aponta estudo.
O mercado de fusões e aquisições em tecnologia voltou a ganhar tração no país. Foram 245 deals fechados em 2025 — um crescimento de 25% em relação a 2024, segundo o M&A Deals Report 2025, produzido pela Questum, empresa com sede em Florianópolis especializada em fusões e aquisições. O levantamento também mostra um movimento estrutural no ecossistema. O número de compradores únicos chegou a 220 empresas — o maior da série histórica iniciada em 2020.
O dado central do estudo revela uma mudança importante na dinâmica do ecossistema: o problema do M&A no Brasil deixou de ser capital e passou a ser a falta de preparo das empresas para um exit.
Se no ciclo anterior muitas aquisições eram impulsionadas pela abundância de investimentos, agora os compradores estão mais criteriosos. Due diligences mais profundas, exigência de governança estruturada e avaliação tecnológica mais rigorosa passaram a ser fatores determinantes para que uma empresa seja considerada um alvo atrativo.
“Por anos, quem queria vender sua empresa tinha só duas ou três opções reais na mesa. O poder de negociação era assimétrico. Esse cenário está mudando: a diversificação de compradores cria competição e competição melhora condições. E melhores condições significam deals mais justos para quem construiu algo de valor”, analisa Rafael Assunção, CEO da Questum.
Mesmo com critérios mais rigorosos, o mercado segue aquecido. De acordo com o relatório – que analisou mais de 200 transações realizadas no mercado de tecnologia brasileiro ao longo de 2025 – 84% dos compradores entrevistados pretendem realizar aquisições até 2026, motivadas principalmente por três fatores:
- incorporação de novas tecnologias e funcionalidades
- expansão de receita
- ampliação de portfólio de produtos.
O ‘buy side’ e o ‘sell side’ em Santa Catarina
Para muitas empresas, comprar startups deixou de ser uma mera oportunidade para fazer parte da estratégia de crescimento.
É o que tem sido feito nos últimos anos por algumas das maiores companhias de software com sede em Santa Catarina, seguindo a tendência nacional de grandes empresas de tecnologia indo às compras (o “buy side”), ampliando portfólios e consolidando setores por meio de aquisições.
O relatório destaca a Selbetti, que começou na década de 1970 em Joinville atuando em um mercado analógico, e que hoje já soma 44 empresas adquiridas desde 2014. Outro exemplo é a Starian, empresa criada a partir da Softplan (fundada em Florianópolis no começo dos anos 1990) e que recebeu investimento de R$ 640 milhões da General Atlantic no ano passado justamente para reforçar o caixa para novas aquisições.
Em Blumenau, a Senior, fundada há 38 anos, tem comprado empresas no Brasil e na América Latina em um movimento estratégico que fez a receita ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão em 2025.
A Senior e a Starian chegaram a anunciar no mesmo dia, em dezembro passado, a compra de empresas de sotware gaúchas – em uma dessas operações, a aquisição da tradicional CIGAM, a Senior desembolsou R$ 162,5 milhões.
Mas Santa Catarina também aparece como origem de empresas adquiridas (“sell side”) nesse novo ciclo de M&A. Um dos casos mais relevantes foi a aquisição da ContaAzul, plataforma de gestão financeira para pequenas e médias empresas fundada em Joinville, pelo grupo europeu de software empresarial Visma. A operação foi estimada em aproximadamente R$ 1,7 bilhão e marcou a entrada da companhia norueguesa no mercado brasileiro de software para PMEs.
“Estamos vivendo um ciclo de startups mais maduras, com empreendedores melhores — e um mercado comprador mais amplo do que nunca para recebê-las”, define Assunção.
