Estado, que já é o 3º do país em empresas credenciadas no Ministério da Defesa, lançou edital de R$ 6 milhões para desenvolver tecnologias voltadas à soberania nacional.
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Defesa vira nova fronteira para indústria e inovação em Santa Catarina

Estado, que já é o 3º do país em empresas credenciadas no Ministério da Defesa, lançou edital de R$ 6 milhões para desenvolver tecnologias voltadas à soberania nacional. / Foto: Júnior Somensi

Santa Catarina quer ampliar sua presença em uma das cadeias industriais mais estratégicas do país. Nesta quinta-feira (21), durante a abertura da SC Expo Defense, na sede da FIESC, em Florianópolis, foi lançado um edital de R$ 6 milhões para estimular o desenvolvimento de tecnologias voltadas à soberania e à defesa nacionais.

Promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), o programa prevê apoio de até R$ 500 mil por projeto selecionado. A chamada busca financiar produtos, serviços e processos inovadores desenvolvidos por empresas catarinenses, com foco em soluções de maior valor agregado. Também foi assinado um protocolo de intenção para o desenvolvimento de um ecossistema de mobilidade aérea avançada no Sapiens Parque, voltado à operação de aeronaves elétricas de decolagem vertical e drones, que inclui uma estrutura para pousos e decolagens e também um centro de pesquisa na área.

As iniciativas chegam em um momento em que o estado tenta consolidar uma nova posição na indústria nacional de defesa. Santa Catarina soma 33 credenciamentos de Empresa de Defesa ou Empresa Estratégica de Defesa – é o terceiro maior número do país, atrás apenas de São Paulo, com 141, e Rio de Janeiro, com 46. O avanço é recente: em 2016, havia apenas uma empresa catarinense credenciada.

O desafio agora é sofisticar a participação local nessa cadeia. Em 2025, Santa Catarina movimentou R$ 211,8 milhões em vendas ao setor, geradas por 219 empresas fornecedoras, ocupando a 5ª posição nacional em valor movimentado. No Brasil, o mercado somou R$ 6,83 bilhões.

Governo de SC lança edital voltado à inovação para defesa e segurança. / Foto: Junior Somensi

Hoje, os produtos mais vendidos por empresas catarinenses ainda estão ligados a áreas tradicionais, como têxtil, confecção, couro e calçados. O novo edital aponta para outra direção: estimular tecnologias em inteligência de dados, comunicações seguras, nanotecnologia, materiais avançados, ciberdefesa, sensores, drones e soluções aplicadas à proteção de infraestruturas críticas.

A SC Expo Defense funcionou como ponto de encontro entre essa demanda e a capacidade industrial e tecnológica do estado. O evento reuniu Forças Armadas, órgãos de Segurança Pública, empresas, startups, universidades, centros de pesquisa e inovação, além de lideranças políticas e econômicas, em uma programação com painéis, debates e rodadas de negócios.

Entre as tecnologias apresentadas às Forças Armadas estiveram drones de vigilância com sensores termais e autonomia estendida, veículos táticos leves, componentes metalmecânicos de alta resistência, plataformas de criptografia, sistemas de comunicação segura, fardamentos com nanotecnologia para controle térmico e repelência, além de soluções de blindagem balística leve.

Transformação do Exército abre janela para a indústria nacional

A agenda catarinense se conecta a um movimento mais amplo de modernização das Forças Armadas. No painel “A transformação da Força”, o general de divisão Everton Pacheco da Silva, chefe do Escritório de Projetos do Exército, apresentou as bases do redesenho da Força Terrestre, iniciado em 2024 e estruturado no horizonte do programa Força 40.

Modernização do Exército é oportunidade para indústria da Defesa nacional.
Modernização do Exército é oportunidade para indústria da Defesa nacional. / Foto: agência The Builders

O objetivo, segundo ele, é preparar o Exército Brasileiro para 2040 como “uma força ágil, adaptável, integrada e tecnologicamente avançada”. A formulação parte de um trabalho de identificação das ameaças consideradas mais relevantes para as próximas décadas, em áreas como guerra eletromagnética, cibernética e cognitiva, além dos domínios aéreo, terrestre, espacial e marítimo.

O novo ciclo estratégico deverá ser apresentado em setembro e será organizado em seis macroprogramas, voltados ao desenvolvimento de novas capacidades. Entre as prioridades citadas estão a criação de um subprograma específico para drones, a ampliação da flexibilidade operacional, o uso de inteligência artificial e o avanço da defesa cibernética.

Para a indústria, esse redesenho representa uma janela de oportunidade. Segundo dados apresentados no painel, a indústria de defesa gera 2,9 milhões de empregos no Brasil e tem efeito multiplicador relevante sobre a economia: cada R$ 1 investido no setor teria retorno estimado de R$ 9,80 no PIB. As exportações também avançaram, de US$ 1,4 bilhão em 2023 para US$ 3,1 bilhões em 2025, conforme dados do Ministério da Defesa.

Esse movimento ajuda a explicar a ênfase na aproximação com fornecedores nacionais. No caso do Exército, o orçamento previsto para projetos estratégicos soma R$ 58,9 bilhões, com diretriz de ampliar investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação. “Sempre vamos favorecer a indústria nacional”, afirmou o general.

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