em Joinville, a sinergia entre indústrias, poder público, ambientes de inovação, academia, cultura e empresários está gerando uma nova referência em desenvolvimento territorial inteligente.

​O Código de Santa Catarina – Parte II: como lideranças estão construindo cidades inteligentes

A cidade que vem reescrevendo o seu código: em Joinville, a sinergia entre indústrias, poder público, ambientes de inovação, academia, cultura e empresários está gerando uma nova referência em desenvolvimento territorial inteligente.

Por Jean Vogel, presidente da Câmara de Smart Cities da FIESC e CEO da Ecosystems Builders, é colunista de cidades inteligentes.

Santa Catarina e Espírito Santo compartilham uma peculiaridade econômica no cenário brasileiro: são os únicos estados cujas maiores economias não estão concentradas em suas capitais. Joinville e Serra lideram, respectivamente, o Produto Interno Bruto (PIB) e o contingente populacional em seus territórios. Contudo, as semelhanças param por aí.

Enquanto a economia de Serra é impulsionada majoritariamente por uma gigante (ArcelorMittal), Joinville ostenta um ecossistema econômico altamente diversificado. A cidade abriga cerca de 3.200 indústrias, sustentadas por corporações de peso nacional e global, como Tupy, Tigre, Docol, Whirlpool, Nidec e Krona. Além disso, o município detém entre 350 e 400 operações de ferramentarias, o maior adensamento do Brasil, sediando as Associações Brasileira e Mundial da Indústria de Ferramentais (ABINFER) e Associação Mundial da Indústria de Ferramentaria (ISTMA), ambas sob a presidência do catarinense Christian Dihlmann.

Mas a cidade das flores, das bicicletas, do maior festival de dança do mundo e da única escola Bolshoi fora da Rússia vai além, e nos últimosúltimos anos atraiu e desenvolveu outro tipo de ferramental, desta vez alinhado com a economia do conhecimento: um ecossistema de inovação em crescente aceleração, especialmente a partir de 2019, com a inauguração do Ágora Tech Park, um parque tecnológico privado, instalado no coração do maior condomínio industrial multissetorial da América – O Perini Business Park, onde, diariamente, mais de 15 mil pessoas trabalham, estudam (o parque também abriga o campus da UFSC, com 7 graduações em engenharia) e inovam. São mais de 300 empresas que geram faturamento superior a R$12 bilhões, equivalente a 20% do PIB de Joinville e mais de 2% de Santa Catarina.

Neste ambiente altamente favorável à orquestração de negócios, startups fundadas na cidade escalaram para se tornarem protagonistas nacionais. Nomes como Asaas, Conta Azul e Pollux unem-se a gigantes estabelecidas, como TOTVS (herdeira da lendária Datasul) e Neogrid, consolidando a força do setor na região. Conforme dados do Observatório ACATE 2025, o polo tecnológico liderado por Joinville já ultrapassa a marca de R$ 7,48 bilhões em faturamento.

Muito além da geração de receita e de empregos qualificados, essas empresas dinamizam o mercado por meio de rodadas de investimentos e aquisições estratégicas, movimento que auxiliou Joinville à alcançar a posição de 9º melhor ecossistema de startups do país, segundo o mapeamento global da Startup Blink.

Legado transformado em alavanca para o futuro

O lastro industrial da cidade tem servido como base sólida para o futuro urbano. É no berço histórico de uma de suas marcas mais emblemáticas, a Tigre, que ganha forma um dos projetos imobiliários e urbanísticos mais arrojados do Sul do Brasil: o bairro Cidade das Águas. A iniciativa é fruto de uma aliança estratégica entre a própria Tigre e a Hurbana — desenvolvedora responsável pela Cidade Criativa Pedra Branca, o primeiro grande case nacional do Novo Urbanismo.

Com uma proposta inteligente de uso misto, o empreendimento integrará áreas residenciais, edifícios corporativos e uma vibrante rede de comércio e gastronomia. A âncora cultural do projeto será o Musicarium, com um concert hall de padrão internacional projetado para receber espetáculos e contribuir na formação de jovens talentos musicais de excelência global.

Em 2025, sob a liderança do prefeito Adriano Silva, a Prefeitura de Joinville investiu na qualificação do seu quadro técnico ao capacitar mais de 40 servidores que cursaram a pós-graduação em Cidades Inteligentes do UniSENAI. Como resultado prático dessa imersão, foram desenvolvidos sete projetos aplicados, estritamente alinhados às demandas reais da gestão municipal. A iniciativa consolida a premissa de que a qualificação contínua dos gestores públicos formam a base para tornar as cidades verdadeiramente eficientes.

As ações e a sinergia entre indústrias, poder público, ambientes de inovação, academia, cultura e a articulação de empresários visionários estão moldando uma nova Joinville. Uma metrópole que está reescrevendo o seu código, trilhando um caminho para se consolidar como uma referência brasileira em desenvolvimento territorial inteligente.

Na terceira e última parte desta reflexão, o destino será a capital catarinense. Exploraremos a Ilha da Magia e do Silício, dona de um dos ecossistemas de tecnologia mais dinâmicos do país e, claro, terra do ilustre tricampeão de Roland Garros, Gustavo Kuerten.

Leia também: O Código de Santa Catarina – parte l

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