Joinville receberá R$ 385 milhões em centros tecnológicos para indústria de óleo e gás
Estruturas serão instaladas no Instituto SENAI de Inovação e podem consolidar a cidade do Norte catarinense como polo nacional de tecnologia industrial avançada. / Foto: Divulgação (Fiesc)
Joinville pode se consolidar como um novo polo de desenvolvimento tecnológico para a indústria de óleo e gás no Brasil. Uma parceria, anunciada nesta sexta (06), entre o SENAI de Santa Catarina e a Petrobras prevê investimentos de R$ 385 milhões na implantação de três centros tecnológicos no Instituto SENAI de Inovação da cidade.
As estruturas serão voltadas ao desenvolvimento de equipamentos industriais de grande porte e tecnologias avançadas de manufatura, robótica e processamento a laser — áreas consideradas estratégicas para o setor energético e para a cadeia industrial brasileira.
O principal empreendimento será o Centro Tecnológico de Manufatura e Sistemas Cibermecânicos (Cetemo), com investimento estimado em R$ 283 milhões. A unidade terá cerca de 3,3 mil metros quadrados e contará com equipamentos inéditos no país, com previsão de entrada em operação em aproximadamente 36 meses. O projeto foi selecionado em chamada pública da Petrobras e envolve o desenvolvimento de soluções tecnológicas para equipamentos utilizados na exploração de petróleo em ambientes complexos, como o pré-sal.
Além do Cetemo, o complexo contará com um Centro Tecnológico de Robótica e um Centro Tecnológico de Laser, ambos também implantados em parceria entre os Institutos SENAI de Inovação em Joinville e a Petrobras. Juntos, esses dois centros somam mais de R$ 102 milhões em investimentos e estão em fase de implantação.
As estruturas terão como foco tecnologias relacionadas à manutenção avançada, manufatura de precisão e robótica industrial aplicada ao setor de óleo e gás. No entanto, os desenvolvimentos também poderão ser utilizados em outros segmentos industriais, como automotivo, aeroespacial, energia, mineração, transporte e indústria naval.
Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, a iniciativa amplia o potencial de competitividade da indústria nacional e cria oportunidades para a cadeia produtiva regional. “O Brasil passa a incorporar uma tecnologia que ainda não domina e, de imediato, Santa Catarina se beneficiará de parcerias internacionais”, explica o presidente da FIESC.
“Além disso, o novo centro promoverá o desenvolvimento de uma cadeia nacional e regional de suprimentos”, acrescenta Seleme, ao lembrar que, em um raio de 100 quilômetros de Joinville, existem pelo menos uma dezena de indústrias de fundição que podem absorver o fornecimento de peças de elevado valor agregado à Petrobras e outras empresas do setor.

Como será o modelo de operação
O modelo de operação dos centros prevê que empresas parceiras utilizem a infraestrutura para desenvolvimento tecnológico e fabricação de componentes, mantendo como eixo principal a pesquisa aplicada e a formação profissional.
“O modelo de negócios a ser adotado prevê o uso das máquinas por empresas parceiras para a fabricação de componentes, mas sua ênfase continuará nas atividades-fim do SENAI: desenvolvimento de novas tecnologias, que é o foco dos institutos de inovação, além da educação profissional. Nós vamos desenvolver novas tecnologias que podem ser incorporadas pela própria parceira e por outros fornecedores”, diz o diretor regional do SENAI/SC, Fabrízio Pereira.
Nos últimos anos, os institutos de inovação do SENAI em Joinville e Florianópolis já desenvolveram soluções para a indústria offshore, como robôs para pintura de plataformas marítimas e equipamentos automatizados para limpeza de dutos do pré-sal. Nestes novos centros, poderão ser desenvolvidos componentes de grande porte utilizados na infraestrutura do pré-sal, como conectores para dutos submarinos.
A nacionalização desse tipo de tecnologia também pode reduzir o tempo de parada de plataformas em casos de manutenção ou substituição de peças.
Como afirma Cézar Siqueira, gerente geral de pesquisa, desenvolvimento e inovação para o desenvolvimento da produção do Centro de Pesquisas CENPES da Petrobras: “os centros tecnológicos que estão sendo desenvolvidos são fundamentais para acelerar a inovação em áreas estratégicas, além de contribuir para elevar a produtividade, reduzir riscos operacionais e ampliar a competitividade da indústria nacional”.
