Nova Indústria Brasil: mais R$ 70 bilhões em 2026 e uma janela de desenvolvimento para o Sul
Estados com base produtiva estruturada podem acelerar digitalização, transição energética e reindustrialização tecnológica. Quem está preparado para capturar esses investimentos? / Foto: Foto de NCI (Unsplash)
Após destinar R$ 300 bilhões desde 2023, o BNDES anunciou na última sexta-feira mais R$ 70 bilhões para a política industrial, por meio do programa Nova Indústria Brasil (NIB). Estados com base produtiva estruturada podem acelerar digitalização, transição energética e reindustrialização tecnológica.
O anúncio foi feito no dia 27 de fevereiro pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Deste total, foram destinados, segundo o banco:
- R$ 84,6 bilhões para transformação digital da indústria
- R$ 76,9 bilhões para cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais
- R$ 63,1 bilhões para infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis
- R$ 27,8 bilhões para tecnologias estratégicas
- R$ 27 bilhões para bioeconomia, descarbonização e segurança energética
- R$ 7,9 bilhões para o complexo econômico-industrial da saúde
As micro, pequenas e médias indústrias receberam R$ 111,8 bilhões, um dado que desloca a política industrial do eixo exclusivo dos grandes conglomerados e a aproxima da base produtiva regional.
Para além do anúncio de recursos, a medida reacende uma questão central para os territórios: quem está preparado para capturar esses investimentos?
É nesse ponto que a discussão ganha dimensão territorial.
Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul concentram uma das bases industriais mais diversificadas do país, combinando metal-mecânico, automação, agroindústria exportadora, alimentos, energia e tecnologia da informação. Ao mesmo tempo, o Sul abriga ecossistemas de inovação consolidados, universidades tecnológicas e forte presença de pequenas e médias indústrias — justamente o público que tem sido alcançado pela política.
As missões da política industrial em curso dialogam diretamente com essas vocações:
- Transformação digital conversa com polos de software industrial e automação.
- Cadeias agroindustriais sustentáveis encontram no Sul um território já estruturado.
- Bioeconomia e descarbonização têm aderência com a matriz energética e o perfil produtivo regional.
- Infraestrutura e mobilidade sustentáveis impactam diretamente cidades médias industrializadas.
Esta é uma janela temporal para a modernização produtiva.
Se bem aproveitado, o ciclo até 2026 pode consolidar uma nova fase de reindustrialização verde e digital no Sul.
