Impacto global acumulado para o período crítico (09 a 20.07) aponta para uma perda de R$ 740 milhões para a economia do Sul do Brasil, calculam especialistas

O impacto econômico “invisível” da interdição parcial da ponte Anita Garibaldi

Impacto global acumulado para o período crítico (09 a 20.07) aponta para uma perda de R$ 740 milhões para a economia do Sul do Brasil, calculam especialistas. / Foto: Divulgação 

Artigo escrito por Gean Fermino, Vice-Presidente e Diretor de Negócios, Ciência, Tecnologia e Inovação e Marcelo Panosso, Presidente da Ordem dos Economistas de SC, Consultor e Pesquisador.

Quando analisamos a interrupção ou o travamento severo de um ativo de infraestrutura, tendemos a focar apenas no bloqueio total de vias. Contudo, a ciência de dados, a economia e a engenharia de transportes nos mostram que a redução forçada do fluxo rodoviário gera prejuízos sistêmicos tão agressivos quanto a paralisação absoluta.

As modelagens, simulações, ensaios e estimativas via estudo de Análise Multicritério (MCDA) avaliou os impactos do estrangulamento de fluxo na Ponte Anita Garibaldi (BR-101/Laguna-SC) no período projetado entre 9 e 20.07.2026 e os números revelam a gravidade da fricção logística na Região Sul do Brasil e especialmente em Santa Catarina. Seguem alguns destaques:

Contração de Eficiência Energética: Nas filas de desvio que chegam a 20 km nas vias marginais, o regime de tráfego intermitente (“anda e para”) faz o consumo de óleo diesel dos veículos pesados saltar de 2,2 km/L para 0,9 km/L — uma perda de eficiência de -59%.

Destruição da Produtividade do Capital (VGV): Motoristas que operavam em malhas regionais computando até 4 viagens diárias viram seu indicador despencar para apenas 1 viagem/dia. O giro de frotas interestaduais recuou 45%, derrubando a receita rodada por veículo.

“Quem não mede o fluxo, não enxerga o tamanho do dreno no PIB”

Aumento da Distância Econômica Equivalente: Um atraso médio de 8 horas na retenção, convertido matematicamente pelo modelo gravitacional de comércio, equivale a afastar geograficamente o Rio Grande do Sul do restante do país em 640 km econômicos adicionais por viagem.

lmpacto Macroeconômico e Efeito Pass-Through: A estimativa do impacto global acumulado para o período crítico aponta para uma perda de R$ 740 milhões para a economia do Sul (RS, SC e PR) e comércio exterior do Mercosul. Devido às margens estreitas do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), a elasticidade de repasse desse custo é de aproximadamente 0,85, significando que 85% desse prejuízo logístico é transferido diretamente para a inflação de alimentos e insumos industriais nas gôndolas em até 15 dias, se for esta a tomada de decisão do mercado

O cenário reforça que a infraestrutura de transportes não deve ser medida apenas pela sua existência física, mas pela sua capacidade de garantir fluidez, previsibilidade e mínima fricção territorial. Quem não mede o fluxo, não enxerga o tamanho do dreno no PIB.

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