Como o setor elétrico transforma desafios operacionais em novas soluções
Pressões regulatórias, custos operacionais e uma matriz energética cada vez mais diversificada levam empresas a buscar soluções tecnológicas nas próprias operações – como mostrou o “Dia da Inovação” da Engie, realizado nesta semana em Florianópolis.
O setor elétrico vive um momento de crescente complexidade técnica e regulatória. A expansão das fontes renováveis, a digitalização dos ativos e novas exigências de eficiência ampliaram os desafios enfrentados pelas empresas na cadeia de energia.
E parte das soluções começa a surgir dentro das próprias operações: programas de inovação e intraempreendedorismo têm estimulado equipes técnicas a propor melhorias diretamente aplicadas às usinas, sistemas de geração e processos operacionais.
“O setor elétrico brasileiro vive um momento de grande complexidade tecnológica e regulatória. Inovar deixou de ser apenas uma agenda estratégica e passou a ser uma necessidade operacional para garantir segurança, eficiência e competitividade nos ativos”, afirma Marcelo Schultz, diretor de Operações da ENGIE Brasil Energia. “O foco é gerar valor para as usinas — seja em segurança operacional, produtividade ou eficiência no uso de recursos.”
O tema esteve no centro do Dia da Inovação da ENGIE Brasil, realizado em 10 de março na sede da companhia, em Florianópolis. O encontro reuniu e premiou profissionais de diferentes áreas técnicas e equipes de usinas para discutir inteligência artificial, criatividade, parcerias e mecanismos de incentivo à inovação. Neste ciclo, 625 colaboradores participaram de iniciativas de inovação, que vão desde melhorias em processos operacionais até o desenvolvimento de novas ferramentas tecnológicas aplicadas aos ativos da empresa.
Entre as que foram reconhecidas estão soluções de inteligência artificial para identificação de créditos tributários de PIS e Cofins, melhorias operacionais em usinas solares e ferramentas digitais voltadas à gestão de ativos em hidrelétricas.
“Nosso objetivo é que qualquer colaborador consiga transformar uma ideia em projeto. Criamos mecanismos para que as pessoas tenham espaço para propor soluções e enxergar o impacto real do que desenvolvem”, afirma Caroline Dutra, coordenadora de Inovação e P&D da ENGIE Brasil.
Tecnologias que nascem nas operações
Grande parte das soluções desenvolvidas nas empresas do setor elétrico surge para resolver desafios concretos do dia a dia das usinas. Quando funcionam, essas iniciativas passam a ser replicadas em diferentes ativos da companhia, ampliando os ganhos de eficiência.
Entre os projetos recentes estão ferramentas digitais para monitoramento de ativos, sistemas de apoio à tomada de decisão operacional e aplicações de inteligência artificial voltadas à análise de dados e identificação de oportunidades de melhoria.

A ampliação da participação das equipes também se tornou prioridade nos programas de inovação. O número de mulheres envolvidas nas iniciativas cresceu de forma significativa: eram 26 participantes em 2023, número que passou para 108 em 2024 e chegou a 149 em 2025 — aumento de 38% em relação ao ano anterior.
Segundo Caroline, ampliar a diversidade e o engajamento das equipes é parte essencial da estratégia: “quando as soluções começam a nascer dentro das próprias usinas, a inovação deixa de ser apenas um conceito corporativo e passa a fazer parte da cultura da empresa”, afirma.
A companhia começou a estruturar projetos de pesquisa e desenvolvimento ainda nos anos 1990. Desde então, já investiu mais de R$ 250 milhões em cerca de 200 projetos de P&D, realizados em parceria com universidades, instituições de pesquisa, laboratórios de inovação aberta e conexão com startups.
“A área de inovação tem o papel de animar o processo, criar regras e dar visibilidade às ideias. Mas a inovação acontece principalmente nas operações, no dia a dia das equipes que conhecem os desafios das usinas”, afirma Mário Wilson Cusatis, gerente de Gestão da Performance e Inovação da ENGIE Brasil.
Conheça os projetos vencedores:
Três ideias mais populares de 2025
1º lugar – Daniel Neubert – Criar uma IA que identifique possíveis créditos de PIS e Cofins
2º lugar – Lucas Wilrich – Uso de fireballs em usinas solares da ENGIE
3º lugar – Erlon Vagner da Silva – Digitalização da gestão de acesso à frota da Usina Hidrelétrica Salto Santiago (UHSS)
PDI ANEEL: projeto mais ativo em 2025
Projeto “Qualidade na implantação de linhas de transmissão”
Tiago Tapparo e Camila Andrade
Lei do Bem: projeto com maior retorno tributário em 2025
Projeto “Qualidade na implantação de linhas de transmissão”
Tiago Tapparo e Camila Andrade
Colaborador mais engajado em inovação em 2025
Larissa Conte – Usina Hidrelétrica Salto Osório (UHSO)
Área mais inovadora em 2025
Engenharia de Manutenção de Ativos de Sistemas (EMAS)
Regional mais inovadora em 2025
Regional do Rio Iguaçu – RERI, do Paraná
