SC Ventures prepara novo ciclo de até R$ 15 milhões para startups
Depois de investir em 14 empresas, gestora ligada à SCAngels abre um segundo pool e procura negócios com receita, governança mais estruturada e inteligência artificial incorporada à operação. / Foto: Divulgação
A SC Ventures prepara um novo ciclo de investimentos em startups para o segundo semestre de 2026. A gestora catarinense pretende aportar até R$ 15 milhões em até 15 empresas de tecnologia, com cheques que podem chegar a R$ 1 milhão por negócio.
O lançamento ocorre após a conclusão do primeiro portfólio, formado por 14 startups, e sinaliza uma nova etapa da atuação da gestora: menos concentrada em negócios ainda em fase de validação e mais voltada a empresas que já demonstram tração comercial e alguma capacidade de execução.
Para entrar no radar, as startups devem estar em operação, registrar faturamento mensal mínimo de R$ 50 mil e atuar em mercados com potencial de escala. A SC Ventures também procura equipes fundadoras com dedicação exclusiva, competências complementares e maior atenção a gestão e governança.
Os critérios refletem uma mudança mais ampla no mercado: com o capital mais caro e os investidores mais seletivos, a capacidade de transformar tecnologia em receita previsível passou a pesar mais nas decisões de investimento. Avaliações consideradas excessivas perderam espaço, enquanto negócios com fundamentos mais claros voltaram a ganhar relevância.
“O aumento do custo do capital ajudou a tornar as avaliações mais realistas. Ao mesmo tempo, os empreendedores chegam mais preparados, com maior foco em gestão, governança e construção de negócios sustentáveis”, afirma Cacio Packer, fundador da SCAngels e cofundador da SC Ventures.
Fundada em 2021 por profissionais com experiência em tecnologia, empreendedorismo, venture capital e mercado de capitais, a SC Ventures atua de forma integrada à SCAngels, associação voltada ao desenvolvimento do investimento-anjo em Santa Catarina.
IA como tese de investimento
A inteligência artificial será um dos eixos do novo pool. O interesse, porém, está apenas em startups que constroem produtos, processos e modelos de negócio a partir dessa tecnologia.
Na avaliação de Packer, negócios concebidos desde o início com IA tendem a carregar uma vantagem estrutural sobre companhias tradicionais, que precisam adaptar sistemas, equipes e operações já estabelecidas. “A inteligência artificial representa uma transformação comparável ao surgimento da internet e da mobilidade. Essas tecnologias deram origem a empresas que se tornaram líderes globais. A IA abre um novo ciclo de inovação e criação de valor para quem investe cedo”, diz.
A tese acompanha uma discussão cada vez mais presente entre fundos e investidores: a diferença entre empresas que apenas incorporam ferramentas de inteligência artificial e aquelas capazes de desenvolver ativos próprios, combinar dados, automação e conhecimento de mercado e, a partir disso, construir vantagens difíceis de replicar.
“O acesso dos investidores a esse mercado ainda é limitado. Nosso objetivo é ampliar essa conexão e criar oportunidades tanto para investidores quanto para empreendedores”, afirma.
