Além da Capital: startups de Palhoça avançam por mercados nacionais e internacionais
Ligadas ao INAITEC, Oktopus e Zedia mostram como empresas formadas no ecossistema local podem ganhar mercado por trajetórias diferentes, da internacionalização precoce à escala nacional. / Foto: Divulgação
O município de Palhoça consolidou-se nas últimas décadas como um dos principais polos industriais da Grande Florianópolis. Mais recentemente, também passou a abrigar empresas de tecnologia que, a partir de ambientes de inovação, encontraram caminhos distintos para crescer: algumas avançaram primeiro pelo mercado brasileiro; outras começaram a testar o produto fora do país ainda nos estágios iniciais da operação.
Duas trajetórias ligadas ao INAITEC ajudam a mostrar essas diferentes rotas. Com uma equipe formada pelos dois sócios-fundadores, a Oktopus já atende provedores de internet em seis países. A Zedia, em um estágio mais maduro, expandiu-se por 24 estados, conectou sua plataforma a mais de 200 emissoras de televisão e alcança cerca de 25 milhões de pessoas por mês, segundo a empresa.
Os casos revelam como um ambiente de inovação pode acompanhar negócios em momentos distintos. Na Oktopus, a internacionalização esteve presente desde a concepção do negócio. A startup desenvolve uma plataforma para monitorar e gerenciar remotamente roteadores utilizados por provedores de internet. A solução acompanha equipamentos instalados nas residências dos assinantes, identifica problemas na rede e ajuda a reduzir custos de suporte.
Hoje, a empresa atende 11 clientes no Brasil, Inglaterra, Áustria, Itália, Taiwan e Estados Unidos. O Reino Unido tornou-se seu principal mercado externo, e a projeção para 2026 é alcançar uma receita recorrente anual de aproximadamente US$ 100 mil. “O INAITEC contribuiu para essa trajetória ao proporcionar conexões com outros empresários do ecossistema, mentorias e oportunidades como missões internacionais, que ampliaram nossas chances de sucesso”, afirma Leandro Machado, CEO da Oktopus.
A empresa começou a ser estruturada no INAITEC ainda na fase de concepção. Durante a incubação, recebeu apoio para organizar a operação, validar o modelo de negócio e preparar a entrada no mercado. Em 2025, também participou de uma missão de imersão no Vale do Silício promovida pelo hub. A experiência internacional, contudo, não eliminou as dificuldades próprias de uma empresa em estágio inicial. Sem histórico de atuação fora do Brasil ou uma base ampla de clientes, os fundadores precisaram adaptar o produto, a precificação e a abordagem comercial a diferentes mercados. A conquista dos primeiros contratos passou a funcionar, ao mesmo tempo, como expansão e validação.
Uma trajetória de escala nacional
A Zedia seguiu outro percurso. Especializada em tecnologia e inteligência artificial para mídia, conteúdo e publicidade, a empresa desenvolve soluções que aproximam a televisão tradicional da lógica das plataformas digitais. As ferramentas permitem às emissoras compreender melhor a audiência e criar experiências interativas e personalizadas. Presente em 24 estados, a companhia mantém conexão com mais de 200 estações de televisão e alcança cerca de 25 milhões de pessoas por mês. A operação, iniciada por dois sócios, reúne hoje aproximadamente 35 profissionais.
O crescimento ocorreu por meio da ampliação da base de clientes, da equipe e da presença junto às emissoras. “Tivemos acesso a programas de incubação, missões internacionais e, principalmente, à troca de experiências com outros empreendedores, algo que contribuiu diretamente para a evolução da empresa”, afirma João Vitor de Castro, diretor de Canais e Parcerias da Zedia.

Ambiente de inovação em escala metropolitana
Embora Florianópolis concentre grande parte das empresas de tecnologia e da visibilidade do setor, a dinâmica do ecossistema já ultrapassou os limites da capital. Palhoça faz parte desse movimento metropolitano, combinando uma base industrial consolidada com iniciativas voltadas à formação de novos negócios.
Criado em 2010, o INAITEC atua com programas de incubação, aceleração, mentorias, conexões de mercado e iniciativas de internacionalização. Segundo o instituto, mais de 350 empresas já passaram por suas iniciativas.
“Trabalhamos para conectar empreendedores a conhecimento, mercado e oportunidades que ajudem a transformar boas ideias em empresas competitivas. Ver startups apoiadas pelo INAITEC alcançando novos estados e mercados internacionais demonstra o potencial do ecossistema de inovação que estamos construindo em Palhoça”, afirma Diego Chierighini, diretor executivo do INAITEC.
Em um ecossistema maduro, os resultados nem sempre aparecem pela mesma rota. O papel do ambiente de inovação está menos em determinar esse caminho e mais em criar condições para que cada empresa consiga encontrá-lo.
