ISS ligado ao setor cresce até 1.083% em cinco anos (como em Blumenau - foto) e avança em diferentes regiões do estado. / Foto: Marcelo Martins (Flickr/PMB)

Tecnologia impulsiona arrecadação nas cidades de SC e amplia peso do setor nas economias locais

ISS ligado ao setor cresce até 1.083% em cinco anos (como em Blumenau – foto) e avança em diferentes regiões do estado. Reforma tributária, porém, deve impactar resultados nos próximos anos. / Crédito: Marcelo Martins (Flickr/PMB)

O setor de tecnologia vem se consolidando como um dos principais vetores de expansão na arrecadação municipal em Santa Catarina. Dados do Observatório ACATE mostram que, entre 2019 e 2024, o ISS ligado ao setor cresceu de forma consistente em cidades como Florianópolis, Blumenau, Itajaí, Joinville e Chapecó, ampliando o peso da economia da inovação nas finanças locais.

Em Florianópolis, principal polo tecnológico do estado, a arrecadação passou de R$ 44,4 milhões em 2019 para R$ 146,4 milhões em 2024, crescimento de 230%. O avanço recente reforça a tendência: só entre 2023 e 2024, a alta foi de 27%, em um cenário de expansão contínua da base de empresas e empregos no setor.

Se a capital concentra volume, é no interior que o ritmo de crescimento chama atenção. Blumenau registrou o maior salto da série: saiu de cerca de R$ 5 milhões em 2019 para R$ 58,7 milhões em 2024, alta de 1.083%. O dado indica não apenas a chegada de grandes empresas ao município ao longo dos últimos anos, mas também a consolidação de um ecossistema regional mais diverso.

Itajaí também ampliou sua arrecadação de forma consistente, passando de R$ 15,1 milhões para R$ 47 milhões no período (+210%), com crescimento de 20% apenas no último ano. O movimento acompanha a combinação entre logística, serviços corporativos e tecnologia aplicada a setores estratégicos da economia local.

Com forte base industrial, Joinville ampliou sua arrecadação de R$ 48,9 milhões para R$ 88 milhões entre 2019 e 2024, crescimento de cerca de 80%. Após atingir um pico de R$ 92,4 milhões em 2023, o município registrou uma leve retração de 4,7% no último ano, mantendo, ainda assim, um patamar elevado de arrecadação ligado à tecnologia.

No Oeste, Chapecó apresentou um dos avanços mais acelerados do estado: a arrecadação passou de R$ 3,9 milhões para R$ 15,1 milhões em cinco anos (+282%), com crescimento adicional de 26% entre 2023 e 2024. O desempenho acompanha a expansão do número de empresas e o uso crescente de tecnologia em setores como agronegócio e serviços.

Outros municípios também ampliaram sua participação. Rio do Sul praticamente triplicou sua arrecadação no período, passando de R$ 1,9 milhão para R$ 5,5 milhões (+197%), enquanto Lages registrou crescimento mais moderado. No Sul do estado, Criciúma chegou a R$ 28,2 milhões em 2023, mais do que dobrando o valor registrado em 2019, refletindo a expansão recente do número de empresas de tecnologia na região.

Segundo César Griebeler, vice-presidente de Integração da ACATE, o avanço também evidencia o papel da tecnologia como ativo estratégico para os municípios.

“A tecnologia é um vetor de transformação econômica para os municípios. É uma indústria que gera empregos qualificados, salários acima da média e impacto direto na arrecadação, sem os custos ambientais de outros setores. À medida que as prefeituras passam a compreender melhor esse potencial, a tecnologia ganha espaço como pilar estratégico do desenvolvimento local”, afirma.

Reforma tributária e os impactos para os municípios

A partir de 2026, com a entrada em vigor da reforma tributária, o ISS (municipal) e o ICMS (estadual) serão substituídos pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), alterando a lógica de arrecadação no país. A mudança tende a afetar de forma diferente os municípios, especialmente aqueles com maior concentração de atividades ligadas a serviços e tecnologia, que hoje arrecadam na origem. 

“A reforma muda a lógica de concentração das receitas e pode gerar impactos distintos entre os municípios, especialmente no início. Por outro lado, há uma expectativa de maior simplificação, previsibilidade e maturidade do sistema tributário. Para as empresas de tecnologia, também surge a oportunidade de ampliar mercados, olhar além do regional e fortalecer a atuação internacional como forma de equilibrar esse período de transição”,  destaca Griebeler.

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