De Joinville para São Paulo: a estratégia da catarinense PX para ganhar o mercado nacional de logística
Após captar R$ 250 milhões, plataforma que conecta motoristas de caminhão a transportadoras fortalece presença no maior mercado do país e projeta R$ 1 bi em receita até 2027, destaca o CEO André Oliveira (foto). / Crédito: Divulgação
A PX — uma das empresas catarinenses de tecnologia que mais cresceram no país nos últimos anos, fundada em 2019, em Joinville (SC) — iniciou uma nova fase de expansão ao entrar de forma estruturada em São Paulo, combinando presença operacional com uma política agressiva de redução de custos para clientes.
A companhia desenvolve uma plataforma que conecta motoristas profissionais de caminhão e ajudantes a operadores logísticos, organizando oferta e demanda em um setor historicamente fragmentado. Agora, busca escalar esse modelo no principal mercado de transporte de cargas do país.
Quatro meses após captar R$ 250 milhões em uma rodada Série B liderada pela Bicycle Capital, a empresa inaugurou, em 18 de março, sua sede na capital paulista. O escritório já opera com cerca de 40 profissionais e foi desenhado para suportar até 90 posições, funcionando como base para a expansão no estado.
Mas o principal vetor da estratégia não está na estrutura física. A empresa passou a direcionar parte relevante dos recursos captados para dentro da operação, subsidiando transações realizadas na plataforma. Na prática, isso significa reduzir o custo para transportadoras e embarcadores em um mercado pressionado por margens estreitas e baixa eficiência operacional.
“O dinheiro da rodada vai direto para o cliente. A nossa tese é simples: quanto mais barato e mais eficiente for operar com a PX, mais rápido o mercado migra para o nosso modelo”, afirma o CEO e cofundador, André Oliveira.
Marca, formação e disputa por escala
A estratégia operacional vem acompanhada de um segundo movimento: a construção de marca em um setor onde esse ativo historicamente teve pouco peso. Em março, a empresa anunciou o patrocínio ao Sport Club Corinthians Paulista e presença em competições como a Copa Truck, em uma tentativa de ampliar visibilidade nacional e se posicionar junto a um público diretamente conectado ao universo logístico e rodoviário.
A leitura é que, em um mercado com baixa diferenciação entre players, marca e reputação passam a influenciar não apenas a aquisição de clientes, mas também a atração e retenção de profissionais.
Esse ponto se conecta à terceira frente da estratégia: a formação de mão de obra. A empresa estruturou iniciativas próprias — incluindo um instituto voltado à capacitação — para enfrentar um dos principais gargalos do setor: a escassez de motoristas e trabalhadores qualificados para operações logísticas.
A PX lançou também o Instituto Motorista do Futuro, braço social sem fins lucrativos dedicado à habilitação de novos motoristas, formação profissional e apoio às famílias desses trabalhadores. A iniciativa responde a um dado que a própria empresa coloca no centro de sua tese: o Brasil perdeu cerca de 1,2 milhão de motoristas na última década e pode enfrentar um déficit de até 800 mil profissionais até 2030.
Um modelo em teste no maior mercado do país
A expansão em São Paulo ocorre em paralelo a um plano de crescimento acelerado. Em 2024, a PX registrou faturamento de R$ 180 milhões. A projeção para 2025 é atingir R$ 360 milhões, com base na ampliação da base de prestadores e no aumento do volume transacionado dentro da plataforma.
O objetivo é chegar a R$ 1 bilhão em receita até abril de 2027. Esse patamar serviria como base para uma nova rodada de investimentos (Série C) e, em um cenário mais longo, uma eventual abertura de capital.
A aposta da empresa é que a combinação entre subsídio às operações e expansão em mercados de alta densidade, como São Paulo, permita acelerar a captura de volume em um setor ainda pulverizado, onde grande parte das transações ocorre fora de plataformas digitais.
