Empresas de Florianópolis e Lages apresentaram tecnologias em drones, cibersegurança e monitoramento radiológico para aplicações civis e militares

SC emplaca três startups entre as premiadas pela ABDI na Expo Defense

Empresas de Florianópolis e Lages apresentaram tecnologias em drones, cibersegurança e monitoramento radiológico para aplicações civis e militares; feira encerra nesta sexta-feira (22), na Fiesc. / Foto: Divulgação

Santa Catarina teve três soluções entre as dez startups premiadas pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) durante a SC Expo Defense 2026, feira de defesa e segurança pública que encerra nesta sexta-feira (22), na sede da Fiesc, em Florianópolis.

As empresas catarinenses selecionadas atuam em frentes consideradas estratégicas para a autonomia tecnológica do país: veículos remotamente pilotados, cibersegurança e monitoramento radiológico em tempo real. Cada uma das dez empresas premiadas recebeu R$ 15 mil, em uma chamada voltada a soluções de uso dual — com aplicações civis e militares.

De Lages, a Formwerk Soluções Industriais foi selecionada com a PAM-X, uma plataforma aerotática modular de intervenção e reconhecimento. A solução é baseada em VANTs — veículos aéreos não tripulados — e foi desenvolvida para ser reconfigurada em campo conforme o tipo de missão. Entre as aplicações previstas estão detecção de minas, logística tática, monitoramento multiespectral e reconhecimento.

Em Florianópolis, a Defenzor foi premiada com uma plataforma de gerenciamento de superfície de ataque. A tecnologia monitora continuamente ativos digitais expostos, vulnerabilidades e riscos cibernéticos em tempo real, com uso de varreduras automatizadas e inteligência de ameaças. A aplicação mira a proteção de infraestruturas críticas, ativos estratégicos e sistemas governamentais.

Também da capital catarinense, a Vanellus apresentou um sistema de monitoramento radiológico operacional em tempo real. A solução combina dosímetros eletrônicos conectados, aplicativo móvel e plataforma web para acompanhar a exposição radiológica de operadores, com armazenamento em nuvem, alertas e análises históricas para gestão de segurança.

Premiação e reconhecimento para reduzir barreiras

A chamada “Soluções de Startups para Defesa” foi estruturada pela ABDI para aproximar empresas inovadoras de demandas de alta complexidade do setor de defesa e segurança. As dez soluções selecionadas foram distribuídas em quatro categorias: Cibernética, Aeroespacial, Naval e Veículos Remotamente Pilotados.

Além das três soluções catarinenses, foram premiadas empresas de São Paulo, Distrito Federal e Acre, com tecnologias como robô tático de reconhecimento e resgate, software para coordenação autônoma de enxames de drones, plataforma de inteligência para monitoramento de exposição de dados, motor foguete a propelente líquido, sistema de comunicação naval e veículo anfíbio leve.

Segundo Karen Leal, líder do projeto na ABDI, a iniciativa busca reduzir barreiras de entrada em um setor historicamente restrito e conectar a oferta tecnológica das startups às necessidades do Estado.

“O grande mérito deste concurso da ABDI é conectar diretamente a oferta e a demanda, levando soluções altamente inovadoras e de menor custo para responder a necessidades complexas de Estado. Trazer essas dez startups vencedoras para o nosso estande e integrá-las a este ecossistema é a prova de que soberania nacional e tecnologia caminham lado a lado”, afirmou.

“O reconhecimento da ABDI é um divisor de águas. Em um ecossistema em que são raras as premiações com aporte direto na operação, esse recurso se converte em resultado imediato e nos dá o impulso necessário para alavancar o negócio”, afirmou João Abal, da Vanellus, uma das premiadas.

A premiação também se conecta à Missão 6 da Nova Indústria Brasil, que estabelece como meta ampliar a autonomia do país na produção de tecnologias críticas para a defesa nacional. No caso catarinense, o recorte ajuda a evidenciar a presença de competências locais em áreas que extrapolam o mercado militar e podem ter impacto em setores como indústria, segurança pública, infraestrutura, energia, saúde e gestão de riscos.

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