Venture builder de biotecnologia capta R$ 25 milhões para transformar pesquisas em novos negócios
Fundada em Florianópolis, Vesper Biotechnologies anuncia novo aporte, com recursos famílias Lafer e Klabin, entre outras gestoras. Na foto, os sócios Pedro Moura, Rafael Bottos, Julio Moura, Gabriel Bottos e Jonas Sister. / Crédito: Divulgação
Florianópolis começa a consolidar um novo movimento dentro do ecossistema brasileiro de inovação: o avanço das deep techs ligadas à biotecnologia. Em um mercado historicamente concentrado em fintechs, softwares e modelos digitais escaláveis, empresas de base científica começam a atrair capital relevante e ampliar a conexão entre ciência, indústria e novos negócios.
Um dos exemplos mais recentes é a Vesper Biotechnologies, venture builder fundada em 2018 na capital catarinense e especializada em biotecnologia, que anunciou uma nova rodada de investimentos com participação de integrantes das famílias Lafer e Klabin, além das gestoras Rise Ventures e ACNext. O aporte mais recente foi de R$ 25 milhões, mas a empresa afirma ter como meta atingir R$ 75 milhões em captação até o fim de 2026.
A Vesper – que tem como cofundadores os irmãos Gabriel e Rafael Bottós, além dos sócios Julio Moura Neto, Pedro Moura e Jonas Sister – atua estruturando startups de biotech em áreas como saúde humana, agronegócio e biologia avançada. O modelo da empresa é identificar pesquisas promissoras dentro de universidades e centros de pesquisa, conectar cientistas ao mercado e transformar essas tecnologias em empresas escaláveis.
Hoje, o grupo reúne oito startups e 17 patentes internacionais, além de já ter mobilizado mais de R$ 200 milhões entre capital privado e recursos de programas públicos de inovação, como Finep e Embrapii.
O novo ciclo de investimentos será direcionado principalmente para etapas consideradas críticas no setor de biotech, incluindo validações em campo para startups ligadas ao agro, testes clínicos em saúde humana e amadurecimento tecnológico das empresas do portfólio. A estratégia também prevê a incorporação de novas empresas nos próximos anos.
Da descoberta científica à construção do negócio
O setor, porém, ainda enfrenta desafios no Brasil, como a dificuldade histórica de transformar pesquisa acadêmica em negócios globais, além da escassez de capital especializado para etapas mais avançadas de validação científica e regulatória.
Em entrevista recente ao Brazil Journal, o fundador Gabriel Bottós afirmou que muitas startups apoiadas pela empresa sequer tinham CNPJ quando começaram a ser estruturadas. A tese da companhia é justamente atuar nesse espaço entre a descoberta científica e a construção empresarial.
“Nossa missão é encontrar, filtrar e selecionar ideias para criar empresas ao lado dos cientistas, a partir de pesquisas desenvolvidas ao longo de décadas dentro das universidades”, explicou Bottós.
Nos últimos anos, a Vesper também passou a atuar como articuladora desse ecossistema em Santa Catarina. Anualmente, a empresa promove encontros reunindo cientistas, investidores e empreendedores para discutir soluções ligadas à produção sustentável de alimentos, saúde e bioeconomia.
